Eugenia Melo e Castro

quarta-feira, 24 de junho de 2009

É tempo de Wimbledon

Tênis - Para principiantes

Tênis, jogo que por causa do Guga ficou na moda, é uma espécie de ping-pong tamanho família. Só não é jogado em cima de uma mesa e quem o pratica usa sapatos que levam o nome do jogo. Mas o princípio é o mesmo, bater com uma raquete bem maior e cheia de cordas de nylon numa bolinha fazendo-a passar por sobre uma rede para cair nos limites indicados por algumas poucas linhas do outro lado, sempre procurando fazer com que o adversário, que em geral fica em linhas iguais e diretamente opostas, não consiga fazer com a bolinha nas suas linhas o que você tenta fazer com ela nas entre linhas do lado dele.
O tênis é o tipo de jogo inglês por excelência. O jogador nunca tem contato direto com o adversário, apesar da certeza de que ele esta lá, do outro lado. (os adversários dos ingleses estão sempre lá, do outro lado). Os tenistas jogam contra a rede, as linhas, os juizes, e a bolinha que sempre vem arremessada pela raquete do tenista que está do lado oposto. Existe o juiz de cadeira, que fica sentado um pouco acima dos jogadores e os juizes de linhas, um bando de atentos semi-agachados, cuja missão é dar um grito lancinante quando a bolinha cai fora do que costumam chamar de quadra e que às vezes levam tímidas vaias de sempre educados espectadores. Tênis é sinônimo de cavalheirismo.
Um bando de garotos bem comportados, movidos a promessas de que, se não cometerem nenhuma gafe durante o jogo, no futuro poderão ser promovidos a juizes de linha para gritar à vontade quando a bola sair dos limites, ou mesmo se tornarem jogadores com chance de serem campeões, ficam a postos para apanhá-la e em seguida devolvê-la aos tenistas, homens ou mulheres de fino trato, que não podem passar pelo desconforto de sair catando bolinhas como quem sai atrás de pintinhos amarelos desgarrados.
Ninguém jamais viu dois tenistas brigando. Na verdade isso seria uma deselegância impensável. Ele pode gritar a esmo, xingar a si mesmo, reclamar de eventuais decisões dos juizes de cadeira ou de linha, quebrar a raquete ou até criticar o comportamento do público, mas jamais na história do tênis, algum jogador saiu às vias de fato com o seu adversário. A não ser através de sua assessoria. Questão de educação. A filosofia do jogo parece ser - “nem tudo está perdido” - ou seja, sempre será possível corrigir eventuais gafes. Também coisa de inglês.
Os tenistas ficam o jogo todo tentando fazer com que a bolinha passe para o outro lado da rede, (que deve ser caríssima, pois a maioria traz a marca Mercedes Benz), sem deixar que saiam do limite imposto pelas linhas que formam a quadra, que por questão de economia também são utilizadas para jogos de duplas, o que faz com que existam linhas que valem e outras que não, como as leis brasileiras. Mas os ingleses jamais as confundem.
A contagem, para os não iniciados, é um dos segredos mais bem guardados pelo império britânico. Outro é a graça que acham no jogo de Cricket. No tênis, o primeiro ponto vale quinze, o segundo também quinze, o terceiro dez, e o quarto ninguém jamais saberá. Mas esse quarto e último ponto é o que pode decidir o que eles chamam de game, que não é o jogo todo como pode parecer numa tradução literal, mas apenas uma fração de um set e o jogador que ganhar seis games será considerado o vencedor do set que tem seis games. “God shave the Queen”. As vezes no game acontece um empate nos quarenta pontos. Nesses casos, não basta chegar aquele número misterioso, pois será sempre necessária uma diferença de dois pontos que não tem nome específico. Quem conseguir um ponto a mais passa a ter uma “vantagem”. Se quem estiver sacando ganhar o ponto seguinte fazendo a diferença de dois pontos, terá feito um “game point” e será considerado o vencedor do tal game.
Mas se o outro ganhar depois de ter passado pela vantagem, terá conseguido um “break point” ou, quem sacou não levou. Teve o seu serviço quebrado.
Vai sair vencedor quem fechar o maior número de sets e ganhará cada set quem fizer com que o adversário perca mais games. Mas definitivamente o mais importante é quebrar o saque do oponente, ou seja, ganhar o game quando quem saca é o outro, pois é aí que está a graça do jogo. Sacou?
O jogador que saca tem uma certa vantagem, pois no primeiro saque, também chamado de serviço, ele pode arriscar uma tremenda raquetada e não vai ter nenhum prejuízo se errar. Ele tem a chance de um segundo serviço, só que desta vez tem que acertar sob pena de cometer uma dupla falta, facilmente identificada pelo berro do juiz de linha - FAULT - que quando acontece em dois saques seguidos significa a perda de precioso ponto no game. Se o cara que saca perde mais pontos, ou seja, se quem está na frente é o jogador que não está sacando, a contagem é feita ao contrário; zero - quinze, zero - trinta, quinze - trinta e assim por diante, até que consiga chegar àquele número que jamais alguém saberá e então terá quebrado o serviço do outro. Para o cara que quebrou o serviço ganhar o set, basta não perder mais nenhum game quando estiver sacando que estará feita a diferença de dois pontos, sempre necessária.
Se não acontecer quebra de serviço o jogo vai de game em game, até que um dos tenistas ganhe seis deles. Mas o outro também pode ganhar seis games fazendo seis a seis no set, e aí teremos o “Tie Break”, para os ingleses a quebra do empate. No tie break, ganha quem chegar primeiro ao sétimo ponto, o que geralmente é fácil da gente ficar sabendo, pois é chamado de set point. Bom, isso se o adversário não chegar um ponto atrás, pois para ganhar no tie break também é preciso a tal diferença de dois pontos, o que às vezes faz com que a quebra de empate, ou desempate, termine com vinte sete para o que ganhou e vinte cinco para o que perdeu.
Parece confuso? Parece e é. Mas não na Inglaterra, país em cuja moeda até pouco tempo a soma de doze mais doze dava vinte, onde a mão de direção no trânsito é ao contrário, assim como o próprio volante, que lá é na direita. Se na Inglaterra você dirigir seu carro na mão que seria correta para um brasileiro leva uma multa desse tamanho, e em inglês. Isso se antes não tiver dado uma puta porrada.
O jogo de tênis tem três ou cinco sets, dependendo da importância do torneio. Alguns têm três sets na fase eliminatória e cinco na partida final, no geral um jogo que vale uma grana preta, mesmo pra quem perde. Nos jogos que tem três sets será vencedor quem ganhar dois deles e nos jogos com cinco, ganha quem fechar com vantagem três dos sets. Fácil não?
As partidas entre mulheres são em três sets para que não cansem demais. Mas já existe uma ONG defendendo o direito da mulher também jogar cinco sets, desde que parem de gritar ou gemer ao dar suas raquetadas. As “vantagens” já citadas acontecem quando no game, set ou "Match point", um dos jogadores fica a um ponto de ganhar o tal game, set, ou match. Nos jogos com cinco sets, a vantagem é de quebra para quem assiste, pois poderá ir almoçar se quiser, tirar uma soneca ou até pegar um cinema porque quando voltar o jogo ainda vai estar rolando animado até que um dos jogadores consiga fazer o chamado “Match point”, o ponto do jogo. Nem sempre o ponto do jogo é o último a ser disputado, pois se quem estiver para fechar a partida perder o ponto do jogo vai ter que conseguir outro o que pode significar uma tremenda mão de obra até chegar de novo lá. Isso se o Match Point não for conseguido pelo adversário, o que acontece com freqüência. Ficou convencionado pelos ingleses, e o mundo inteiro aceitou, que ganhará o jogo quem ganhar o tal de “Match point”.
De vez em quando no meio de uma partida os tenistas fazem uma pausa e sentados um de cada lado do juiz, que sempre estará lá em cima, aproveitam para pensar na vida e no pão que estão ganhando. Mas nessa hora, todos sem exceção, costumam enxugar o suor do rosto. Os jogadores aproveitam também para tomar um gole de água mineral ou de energético com a marca de um dos vários patrocinadores do torneio. É aí que a televisão tem a oportunidade de faturar, colocando no ar os seus comerciais. Quase sempre quando termina o intervalo o jogo já recomeçou. Mas ainda assim não vai ser problema você saber o que está acontecendo, porque não terá acontecido nada muito diferente. Bom, às vezes você vai perceber que os jogadores trocaram de lado.

© Solano Ribeiro

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Vender Palavras

Estou a vender palavras.
Podem ser caras ou baratas.

Para o bom entendedor
hão de custar a metade.

Já palavras ao vento,
ficarão ao seu sabor.

Para o ricaço empolado,
vão custar dobrado,
pois certamente servirão,
pra render mais um bocado.

A de honra...
não tem preço!

Para a garota que passa,
apenas palavras de graça.
E pra’quele mulherão,
só os olhos falarão.

Para o velhote, coitado,
custarão nada,
pra não comprometer
sua renda aposentada.

Aos poderosos, maiores preços,
pois com palavras caras
surgirão novos endereços.

Ao quase poeta,
aquele boêmio solitário,
o reino da terra, do céu,
da verdade,
que saiba do dicionário,
tirar toda a felicidade

Bêbados que me perdoem,
e também criancinhas chatas,
mas não quero em boca mole,
palavras que não se escolhe.

Aos colegas poetas um pedido,
me emprestem sua matéria prima,
afinal, como eles,
só sei viver da rima.


Solano Ribeiro / 2009

sábado, 30 de maio de 2009

O papel do artista...

O papel do artista é convencer os outros da veracidade de suas mentiras.

Paul Klee

domingo, 24 de maio de 2009

Cozette

Estrela do Palladium,
era a gostosa da foto.
Qualquer coisa,
uma coisinha
uma Cozette qualquer...
A luz do primeiro ato.

Na linha de frente das pernas,
sublimes coxas, vibrantes,
balançavam o coração de tantos...
e quantos...
da primeira a última fila
pagavam o show barato.

Nada mais acontecia
quando Cozette dançava.
A Cozette que sorria
Cozette, a que brilhava.
E a galera ululava
enquanto Cozette dançava...

No bastidor zoneado,
sozinho, apaixonado,
o garçom curtia o prêmio
que toda noite esperava:
Numa fresta do camarim
a visão do entreato,
com cheiro de pó de arroz
e a bundinha empinada
Cozette ensaiava no espelho
o sorriso retocado.

...e voltava ainda suada
buscando a luz que rasgava
a nuvem de fumo num facho.
E enquanto o maestro enfezado
regia cadeiras arrastadas,
o bêbado gritava:
- Dança Cozette gostosa
você vale uma briga em casa.

Entravam todas juntas
todas iguais, enganadas,
pois ninguém mais aparecia
quando Cozette dançava.
Só Cozette, a que sorria
Cozette que a todos amava.

E a galera ululava,
enquanto Cozette dançava...

sábado, 16 de maio de 2009

2 + 2 = 5


E os artistas? Ah! estes, num futuro remoto comandarão tudo. Serão (o que já são) os mandarins, com toda a plenitude e força que a técnica colocará em suas mãos. No fim, só os artistas mandarão. É que a Humanidade andará sedenta de fantasias, sonhos, mitos, mirágens, (que não são mentiras, nem alucinações, mas a representação poética da vida do homem), de um novo sentido religioso. E aí os artistas serão os novos sacerdotes. Apertando os botões das grandes máquinas, o mundo inteiro viverá na grande tragédia que todos escreverão. Porque todos serão artistas.
Jorge Mautner

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Frases...

'Fumo maconha, mas não trago, quem traz é um amigo meu' - Marcelo Anthony.
'O que te engorda não é o que você come entre o Natal e o Ano Novo, mas o que você come entre o Ano Novo e o Natal' - Solange Couto.

'Se o horário oficial é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?'- Dorival Caymmi.
'Para seu marido não acordar com a macaca... Depile-se' - Cláudia Ohana. 'Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima' - Dercy Gonçalves.

'Cabelo ruim é igual a bandido... Ou tá preso ou tá armado' - Gaúcho Ronaldinho.
'Preguiçoso é o dono da sauna, que vive do suor dos outros' - Roberto Justus.
'Não me considere o chefe, considere-me apenas um colega de trabalho que sempre tem razão' - Galvão Bueno.
'Malandro é o pato, que já nasce com os dedos colados para não usar aliança' - Zeca Pagodinho.
'Mulher gorda é que nem Ferrari... Quando sobe na balança vai de zero a cem em um segundo' - Reginaldo Leme.
'Se um dia a vida lhe der as costas... Passe a mão na bunda dela' - Paulo CesarPereio.
'Os psiquiatras dizem que uma em cada quatro pessoas tem alguma deficiência mental... Fique de olho em três dos seus amigos. Se eles parecerem normais, retardado é você' -Antônio Palocci.
'Se homossexualismo fosse normal... Deus teria criado Adão e Evo' - Gilberto Braga.
'Todo mundo tem cliente. Só traficante e analista de sistemas é que tem usuário' - Bill Gates.
'Mulher de amigo meu é igual a muro alto... ..sei que é perigoso, mas eu trepo' - Chico Buarque.
'Casamento começa em motel e termina em pensão' - Romário.
'Seja legal com seus filhos. São eles que vão escolher seu asilo' - Itamar Franco.
'Antigamente, o homossexualismo era proibido no Brasil. Depois, passou a ser tolerado. Hoje é aceito como coisa normal... Eu vou-me embora antes que se torne obrigatório' - Arnaldo Jabor.
'Passar a mulher pra trás é fácil. O difícil é passar adiante' - Eduardo Suplicy.
'O Brasil está igual a carro velho: para subir não tem força, para descer não tem freio' - Dilma Roussef.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Coisas do Brasil

Este é um país com duas moedas onde o dinheiro do respeitável público vale ao redor de zero,porra nenhuma% ao mês e o dos banqueiros à partir de um dígito gordo. Quem deve ao governo entra na dívida ativa e se credor fica na passiva. Um país onde se correr o banco pega, se ficar o juro come.
Solano Ribeiro